quinta-feira, 7 de janeiro de 2021

Ambiente. Como pretendem os partidos combater as alterações climáticas?


 

A política ambiental tem vindo a ser desenvolvida, em Portugal, desde os anos 80 do Século XX . Temas como o clima, a mitigação das alterações climáticas ou as novas formas de relacionamento com a agricultura, florestas e mar encontram-se em jogo nos oito projectos da Assembleia da República,  que podem mudar Portugal num futuro a longo prazo.

Fim dos veículos movidos a combustíveis fósseis 
O projecto de lei dos socialistas aprova a Lei de Bases da Política do Clima, que assenta na criação de uma “Unidade Técnica para a Estratégia Climática”, uma comissão independente que se pronunciará sobre o planeamento, a execução e a avaliação da política em matéria de alterações climáticas. No entanto, temáticas como a proibição - a partir de 2035 - da venda de veículos ligeiros movidos exclusivamente a combustíveis fósseis ou da utilização do gás natural de origem fóssil para a produção de energia elétrica - a partir de 2040 - também estão em cima da mesa.

Redução de emissões
O PAN, o primeiro partido a apresentar uma Lei do Clima, estabeleceu metas de redução de gases com efeito de estufa, a começar com uma de 45% já em 2025, indo ao encontro do objectivo de neutralidade climática alinhavado pela presidência portuguesa da União Europeia para o primeiro semestre deste ano. O partido prevê igualmente a criação de planos sectoriais de redução de emissões, a cinco anos, e diz que os primeiros terão, caso a lei seja aprovada, de ser apresentados até ao final de setembro. Seguindo a mesma linha de pensamento, o Partido Ecologista “Os Verdes” quer uma “definição ambiciosa, clara e calendarizada de metas de redução de emissões de gases com efeito de estufa”, tal como as medidas para que a mesma possa prosseguir.

O impacto dos seres humanos no meio ambiente Por sua vez, o PCP apresentou novos mecanismos legais para combater a degradação dos recursos naturais e os impactos negativos das actividades humanas no meio ambiente, realçando também a conservação da natureza. No projecto dos comunistas estão contempladas outras temáticas como os riscos e catástrofes ambientais, danos e segurança ambiental, utilização de organismos geneticamente modificados, habitat humano, o bem-estar e a qualidade de vida, o ciclo da água ou as alterações climáticas.

Aposta nos transportes públicos O Bloco de Esquerda pretende investir nos transportes públicos colectivos e na mobilidade activa, no combate à obsolescência programada ou na redução de bens descartáveis, na criação da Inspecção-Geral das Emissões Industriais, para reduzir as emissões da indústria pesada, como a produção de energia, cimento e celulose. O projecto estabelece igualmente a modernização e electrificação de todas as linhas e ramais da rede ferroviária e a criação de ligações ferroviárias electrificadas entre todas as capitais de distrito.

Auscultação da sociedade civil
Durante dois meses, o PSD juntou-se a 40 entidades - como ONG ligadas ao ambiente e ao clima, academia, centros de investigação e até fundações - para compreender aquilo que os portugueses ambicionam. Assim, para os sociais-democratas, esta lei é de um dos pilares das políticas públicas para o pós-covid-19. A proposta inclui os sectores da água, saneamento e resíduos, energia, ar, ruído, litoral e biodiversidade.

Deputadas não inscritas 
No seu projecto de lei, Cristina Rodrigues - antiga deputada do PAN - definiu a criação de um Plano de Acção para a Prevenção de Catástrofe Naturais e de uma Comissão Interministerial para as Alterações Climáticas, a fim de assegurar a integração dos objectivos para a neutralidade climática nas políticas, medidas e planos de investimento dos diversos sectores. Além disto, defende o desenvolvimento do Observatório Técnico Independente para as Alterações Climáticas.

A deputada Joacine Katar Moreira, antiga representante do Livre, apela a mais sustentabilidade através do investimento nos transportes públicos e na mobilidade activa, querendo tornar obrigatório que todas as medidas legislativas e investimentos públicos maiores sejam avaliados em função da sustentabilidade.

sábado, 2 de janeiro de 2021

Recorde de eficiência de 29,15% com nova célula solar de perovskita

As formas de aproveitamento da energia solar têm evoluído bastante nos últimos anos, e isso são boas notícias para os mais diversos segmentos do mercado. Além de um planeta mais verde, este tipo de energia pode ser aproveitada, por exemplo, pelos fabricantes de veículos elétricos.

De acordo com informações recentes, foi batido o recorde de eficiência com uma nova célula solar de perovskita.


Uma equipa de investigadores da Helmholtz-Zentrum Berlin (HZB) publicou na revista Science o desenvolvimento de uma célula de perovskita/silício que alcançou eficiência de 29,15%. Esse é um novo recorde mundial.

95% dos painéis fotovoltaicos que vemos instalados têm por base células solares de silício, um material que é abundante na crosta terrestre, e que permite tirar um rendimento da luz solar de 27%, mas que na realidade têm uma eficiência de apenas 17%.

A Perovskita (óxido de cálcio e titânio, CaTiO3), é um mineral relativamente raro ocorrendo na forma de cristais ortorrômbicos (pseudocúbicos).  A sua estrutura é constituída por átomos ou moléculas dos cristais que é ABX3.

Significa que tem 3 componentes diferentes, organizados de modo cúbico. Em que um dos átomos, A, fica nos vértices do cubo, o B no centro e o X no centro de cada face do cubo. Esta é uma estrutura conhecida e usada em vários dispositivos, mas aplicado às células solares é relativamente recente!

Com uma eficiência de 29,15%, foi superada a conquista anterior de 28%. A meta de eficiência de longo prazo para uma célula solar de perovskita/silício é de 30%, portanto, esta é uma conquista muito próxima dessa meta.

Além desta conquista, a boa notícia é que os cientistas estão otimistas de que o “limite” de 30%, para esse tipo de painel, possa ser superado, alcançando-se ainda maior eficiência energética solar.

O silício é atualmente o material usado em células solares, e a perovskita e o silício foram desenvolvidos separadamente como materiais semicondutores para painéis solares. Os cientistas veem a perovskita como tendo um potencial inexplorado e têm feito experiências com este material, combinando-a com outros materiais.


Natal verde. Portugal bate recorde de produção energética sem carvão

 



Entre 24 e 28 de dezembro Portugal atingiu 111 horas de produção energética sem a contribuição "de qualquer produção térmica clássica", informa a Redes Energéticas Nacionais (REN) em comunicado.

A empresa que gere as autoestradas da energia no país explica o resultado com a "redução de consumos no período do Natal, associada a elevadas disponibilidades eólicas e hídricas."

Neste período "o sistema foi abastecido a partir de produção eólica com 47%, hídrica 19%, importação 17%, fotovoltaica com 2% e os restantes 15% de cogeração e biomassa".

Ainda assim o país importou quase 20% da energia de que precisou. A REN não especifica de onde nem qual a origem, mas a única porta de entrada de energia no país é Espanha, que por sua vez costuma ter uma grande produção eólica.

O anterior recorde era de 88 horas e aconteceu em abril de 2018.


Índia está a construir o maior parque de energia verde do mundo. É do tamanho de Singapura.

 


A Índia acaba de lançar as bases para o que as autoridades afirmam ser o maior parque de energia renovável do mundo. O gigantesco projecto, na região de Kutch, no oeste de Gujarat, cobrirá uma área de 72 mil hectares – uma área quase do tamanho de Singapura.

De acordo com a Agência France Press, depois de concluído, o megaparque de energia renovável produzirá 30 gigawatts de eletricidade a partir de turbinas eólicas e painéis solares, reduzindo assim as emissões de dióxido de carbono em até 50 milhões de toneladas por ano.

“O parque de energia renovável híbrida será o maior do mundo e gerará 30.000 megawatts de energia”, disse o primeiro-ministro da Índia Narendra Modi durante a inauguração oficial do parque, de acordo com a AFP.

Esses números superam as maiores quintas solares actuais do mundo. O parque solar Bhadla da Índia, que atualmente detém o título de maior parque solar do mundo, produz apenas 2,245 gigawatts.

A Austrália tem ambições semelhantes, com um plano para construir a maior quinta solar do mundo, produzindo 10 gigawatts de energia planeados, espalhados por uma área do tamanho de 20 mil campos de futebol.

A instalação de Gujarat será construída perto de uma central de dessalinização que processará 100 milhões de litros de água por dia, o suficiente para cerca de 800 mil pessoas.

A Índia tem um cronograma ambicioso para energias renováveis. O país de Modi planeia gerar 175 gigawatts em energia renovável até 2022 e 450 gigawatts até 2030.

“A segurança energética e hídrica são vitais no século XIX”, disse o primeiro-ministro indiano. “Os dois grandes projectos do parque de energia renovável e da planta de dessalinização inaugurados em Kutch são etapas para alcançar os dois.”


Valongo transforma máquinas em casotas para gatos de rua

 


A primeira de várias casotas para os gatos de colónia de Valongo já está pronta para receber inquilinos felinos. Mas esta não é uma casota qualquer. De forma a dar uma nova vida a electrodomésticos avariados ou sem uso, o município está a reaproveitar máquinas de lavar e secar para as transformar em abrigos. Depois de pintadas e decoradas para oferecerem mais conforto, vão proteger os gatos das colónias de rua do concelho.

"Este ano, o Município de Valongo iniciou a esterilização de colónias de gatos de rua, tendo esterilizado, vacinado e identificado por microchip mais de 100 gatos e gatas em 12 colónias. Sentimos agora a necessidade de lhes providenciar uma 'casa'", diz-nos Fernando Rodrigues, o médico veterinário municipal. "Este projecto veio nesse sentido, pois as máquinas de lavar ou secar velhas são um desperdício doméstico que pode ser reaproveitado e de forma gratuita."

"Os gatos de colónia já têm cuidadores que os alimentam e desta forma passarão a ter também um tecto, caso se desejem abrigar", explica. Para já, vão começar a colocar duas ou três máquinas por colónia – "ou seja, necessitaremos só para este ano de cerca de 50 máquinas". Quem quiser doar máquinas de lavar ou secar (nestas últimas, o tambor é maior), pode contactar pelo telefone 22 422 3039 ou pelo email GMVM@cm-valongo.pt.

O Gabinete de Medicina Veterinária Municipal de Valongo efectua a esterilização de colónias de gatos errantes em colónias CED (Captura, Esterilização e Devolução). Apoia associações e entidades singulares ou colectivas que queiram legalizar colónias CED próprias, oferecendo a captura e a cirurgia de esterilização, desde que sejam cumpridos os trâmites da lei nacional em vigor. Para que uma colónia seja autorizada, deve ser feito um pedido.

Capturar-Esterilizar-Devolver (CED) é um método de controlo de colónias de gatos e de redução das populações felinas silvestres. O processo envolve a captura dos gatos de uma colónia, a sua esterilização, um pequeno corte na orelha esquerda para fins de identificação, desparasitação e, por fim, a devolução dos animais ao seu território de origem, onde são alimentados e protegidos por um cuidador. Sempre que possível, os animais adultos dóceis e as crias em idade de socialização são encaminhados para adopção.


Casa espiral é construída com madeira, terra e telhado verde.

 


Uma casa que cresce junto com a família. Foi esse o pedido dos clientes ao escritório japonês Ryuichi Ashizawa Architects & Associates, que decidiu projectar uma residência em formato de espiral – padrão bastante encontrado na natureza. O lar, que é cercado por vegetação, inclui a preocupação ambiental do chão ao tecto. 

Spiral Garden ou casa espiral foi construída num terreno de 1.000 m2 na Ilha Awaji, em Hyogo, no Japão, para uma família de quatro pessoas. Vigas de madeira sustentam o telhado. De acordo com o escritório, cada parte da construção de madeira foi entalhada à mão por carpinteiros. O material está presente nas paredes, portas e móveis. 

Quase tudo na residência é revestido com terra local da ilha. O chão, por exemplo, adopta uma técnica chamada de “Tataki”. Mais conhecido como um preparo da culinária japonesa, o Tataki é também um método construtivo tradicional de piso de terra batida. As paredes ganharam malha de bambu trançada e acabamentos de terra, que ajudam a armazenar o calor e controlar a umidade.

A casa possui janelas em todos os lados – permitindo o constante contato com a vista exterior. Ao centro do lar, um cilindro com claraboia garante a entrada de luz solar durante o dia. Quando aberta, também funciona como um túnel de ventilação natural.

Com um tecto que mais parece um escorrega verde, diversas plantas podem ser cultivadas: contribuindo para resfriar o ambiente interior. A água da chuva irriga a vegetação e o excesso flui gradativamente para um lago construído no quintal, que serve como reservatório. O terreno ainda possui uma horta em espiral, forno ao ar livre e banheiro seco. Tudo remete à harmonia com a natureza. 

A forma não convencional da edificação é, segundo os arquitetos da Ryuichi Ashizawa, uma referência às casas locais da ilha Awaji, que são feitas de madeira e revestidas de terra. Além disso, aposta numa “abordagem arquitetónica mais primitiva baseada na reunião familiar”. 

Com várias possibilidades de layout, algumas comodidades não possuem funções pré-determinadas e podem servir para fins diversos ao longo da vida. Em comum, todos os espaços parecem conectados pela circularidade, que estimula o convívio e as trocas.


Peruanos criam um laptop ecológico de madeira e vai ser recarregado pelo sol


 


Laptop ecológico de madeira pode ser recarregado com energia solar. Desenvolvido para democratizar o acesso à tecnologia para estudantes peruanos, o WAWA Laptop é sustentável e durável.

As mudanças da tecnologia são cada vez mais frequentes, seja com actualizações de sistemas, novos dispositivos ou funcionalidades criadas a todo momento. Esta realidade, tão comum para quem vive em grandes cidades, não é recebida em locais mais distantes, seja pelo custo mais elevado ou pela falta de estrutura. Para tentar resolver esse problema, um grupo de peruanos desenvolveu um notebook ecológico, feito de madeira, carregado com luz solar, e que pode ser usado durante quinze anos.

Denominado WAWA Laptop, o dispositivo apresenta baixo custo e boa durabilidade, buscando democratizar o acesso à tecnologia para estudantes peruanos.

Em 2015, o grupo criou a empresa Wawa Laptop, com o objectivo de levar recursos tecnológicos para crianças e escolas de diversas regiões dos Andes e da Amazónia peruana. O primeiro protótipo do grupo, um desktop de baixo custo, foi testado em algumas regiões do Peru, mas o resultado não foi tão satisfatório, pois “enquanto as crianças estavam felizes em ter um computador, vimos que tudo estava diluindo muito rapidamente. Então pensamos que tínhamos que dar outra coisa a elas”, conforme disse o gerente de tecnologia da empresa, Javier Carrasco, em entrevista à agência de notícias espanhola EFE.

Então a equipa passou a desenvolver o Wawa Laptop 2.0, produzido em MDF e facilmente desmontável. A ideia do novo notebook é que os usuários possam actualizar as peças facilmente. O software baseado no sistema operacional Linux também garante mais liberdade de criação e desenvolvimento, e o carregamento por energia solar possibilita o uso em regiões que contam com redes de energia eléctrica. A Wawa, nome que pode ser traduzido para “criança” no idioma quíchua, comercializa o produto para ONGs peruanas por 799 sóis, aproximadamente 180€.

Carrasco diz que o desejo da empresa é que os jovens “possam criar através do Wawa laptop, que possam realizar todas as atualizações do produto”, e que “a ideia é que o aluno do terceiro ou quarto ano do ensino fundamental possa ter esse laptop. Que entre no ensino médio com o Wawa laptop 3.0 ou 4.0, e já na universidade o mantenha simplesmente fazendo o upgrade”. O preço estipulado para as melhorias corresponde a aproximadamente 20% do valor total do notebook, uma quantia razoável para tecnologias do tipo.

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