sábado, 6 de novembro de 2021

Desinformação sobre o ambiente está a aumentar “substancialmente” no Facebook, diz estudo


De acordo com um estudo divulgado na passada quinta-feira pelo ‘Real Facebook Oversight Board’, um grupo de análise independente, e pela organização ambiental sem fins lucrativos ‘Stop Funding Heat‘, a escala de desinformação climática no Facebook é “impressionante” e está a aumentar “substancialmente”.

Após analisarem um total de 195 páginas e grupos da rede social, os investigadores encontraram 818 mil publicações com informações falsas sobre as alterações climáticas, que totalizam 1,36 milhões de visualizações por dia.

O lançamento do estudo coincidiu com a cimeira Cop 26, que decorre este ano em Glasgow, e serve para alertar os governos a considerarem seriamente o papel da desinformação sobre as alterações climática nas redes sociais que, segundo os investigadores, podem “enfraquecer a batalha” para reduzir as emissões de gases de efeito estufa.

“É aqui que as ambições da Cop 26 e as revelações dos Facebook Papers chocam, com os nossos dados a revelarem que o Facebook está entre os maiores fornecedores mundiais de desinformação sobre o clima”, disseram os investigadores, citados pelo “The Guardian”.

O estudo analisou 195 páginas conhecidas por distribuir informações incorretas sobre a crise climática recorrendo à ferramenta de análise do Facebook, CrowdTangle. Destes, 41 foram considerados grupos de “tema único”. Com nomes como “Mudança Climática é Natural”, “Mudança Climática é uma porcaria” e “Realismo Climático”, esses grupos partilhavam principalmente memes que negavam a existência das alterações climáticas e ridicularizavam os políticos que tentavam abordá-la através de legislação.

Essa disseminação “galopante” de desinformação climática está a ficar substancialmente pior, disse Sean Buchan, investigador e gestor de parcerias da Stop Funding Heat, com o relatório a revelar que as interações por publicação no seu conjunto aumentaram 76,7% em 2020. “Se continuar a aumentar nessa taxa, pode causar danos significativos no mundo real”, acrescentou.

Pelas próprias contas do Facebook, o ‘Climate Change Science Center’ recebe cerca de 100 mil visitas diárias em todo o mundo – uma fração do número de utilizadores que visualizam desinformação sobre alterações climáticas, de acordo com o estudo. O Facebook tem 2,9 mil milhões de utilizadores activos mensais.

Portugal produz resíduos de plástico acima da média europeia






Portugal produz resíduos de plástico acima da média europeia, com uma fracção a ir parar ainda a aterro, mas país tem potencial para várias alternativas sustentáveis, refere investigadora da Universidade de Aveiro.

“As embalagens de plástico em Portugal representam 8% dos resíduos. Cada habitante está a produzir cerca de 40,3 quilos por ano, acima da média da União Europeia. Precisamos de medidas para reduzir o consumo de plástico, porque, se os outros países conseguem, nós também vamos conseguir”, declara Joana Correia Prata, investigadora da Universidade de Aveiro, à agência Lusa.

O país continua a mandar directamente “33% dos resíduos para aterro”, que é ainda “a forma dominante de tratamento dos resíduos em Portugal”, já que há também algum refugo de outras formas de tratamento de resíduos, como a reciclagem, que acabam por ir para aterro.

“Se considerarmos esse refugo, chegamos a 58% que estamos a enviar para aterro. Ainda é uma parte considerável”, considera. Isso acontece, no caso dos plásticos, com “material muito degradado”, que não pode ser reaproveitado, ou com “materiais que misturam vários tipos de plástico”.

“Aí, também pode não ser economicamente possível. Até pode ser reciclado, mas pode haver tão pouco daquele plástico que não é viável”. Joana Prata admite que “é preciso muita regulação em termos de plástico, de aditivos”, reconhecendo que “a União Europeia está a fazer um esforço”, mas que “é muito difícil”.

“Há muitos plásticos diferentes, apesar das categorias de polímeros grandes, cada tipo de plástico tem uma mistura de aditivos que ninguém sabe muito bem o que é, é um segredo industrial de cada empresa. É muito difícil chegar a conclusões, porque o mercado é muito grande e há muita coisa. Mas sim, o ideal era conseguirmos regular e que fosse tudo reciclável”, concretiza.

No estudo “The road to sustainable use and waste management of plastics in Portugal”, (“O caminho para um uso e gestão sustentáveis dos plásticos em Portugal”, em tradução livre) publicado recentemente no jornal Frontiers of Environmental Science & Engineering, a equipa da Universidade de Aveiro fez uma revisão de literatura em que agrega “muita informação que estava dispersa e era facilmente acessível”.

A partir daí são tiradas “algumas conclusões sobre o que se estava a passar em Portugal”, explica a investigadora e sugeridas algumas soluções. O trabalho agora publicado analisa também a balança comercial portuguesa no que se refere aos plásticos. “Portugal importa muitos plásticos, e também exporta, maioritariamente da União Europeia. Esta reciclagem e valorização dos plásticos, a nível energético ou do material, traz muitos benefícios ecológicos e económicos”.




sexta-feira, 5 de novembro de 2021

Helsínquia deixa de servir carne em eventos oficiais para reduzir pegada de carbono


Helsínquia, a capital da Finlândia, vai deixar de servir pratos de carne em seminários, cimeiras, reuniões de equipa, recepções e outros eventos, a partir de janeiro de 2022, para reduzir a pegada de carbono.

Em comunicado, a Câmara Municipal da capital finlandesa refere que a medida faz parte de um esforço mais amplo "que visa reduzir o impacto climático dos alimentos e reduzir a quantidade de recursos naturais utilizados pela cidade".

A autarquia planeia oferecer apenas pratos vegetarianos e de peixes locais de forma a serem opções mais sustentáveis.

A directora de comunicação do município de Helsínquia, Liisa Kivela, disse à agência de notícias AP que a alteração de hábitos alimentares entrará em vigor em janeiro e excluirá escolas e refeitórios em locais de trabalho.

Liisa Kivela adiantou que a política adoptada pela Câmara Municipal também permite excepções em algumas "visitas de alto nível ou eventos semelhantes" organizados pelo presidente, Juhana Vartiainen, ou pelos gerentes seniores da cidade, que tem cerca de 650 mil habitantes.

A medida estipula que café, chá e alimentos como bananas, oferecidos nos eventos, terão de ser adquiridos a produtores de comércio justo. Além disso, o leite de aveia substituirá o leite normal, e lanches e bebidas não poderão ser mais servidos em recipientes descartáveis.

"Bom senso"

Eleito presidente da Câmara de Helsínquia em agosto, Juhana Vartiainen disse, no entanto, estar feliz por a cidade manter a opção de servir carne em algumas ocasiões.

"Por exemplo, se o rei da Suécia vier para uma visita, a gastronomia local pode ser servida. Ou algum grupo para qual é natural oferecer carne. Deve haver discrição e bom senso", referiu o autarca ao jornal finlandês "Iltalehti".

A decisão do município gerou esta semana um intenso debate nas redes sociais entre cidadãos e políticos.

Os deputados com constituintes na Finlândia rural, onde a caça é popular e pratos de caça são servidos com frequência, ficaram particularmente perturbados. A carne de renas criadas é servida, de forma assídua, a dignitários estrangeiros em visita.

O Instituto de Recursos Naturais da Finlândia disse no início deste ano que o consumo de carne no país caiu dois anos consecutivos, uma vez que mais pessoas decidiram fazer hambúrgueres, salsichas e carne picada através de produtos vegetais.




quinta-feira, 4 de novembro de 2021

COP26: Metano, o gás “desconhecido” que irrompeu da Cimeira do Clima


O compromisso de mais de 100 países para reduzir as emissões de metano em 30% até ao final da década foi um dos passos mais importantes conseguidos durante a Conferência das Nações Unidas sobre as Mudanças Climáticas de 2021 (Cop26), que decorre em Glasgow, na Escócia, embora o metano seja um gás ainda relativamente desconhecido entre os agentes responsáveis pelo efeito estufa.

“O dióxido de carbono (CO2) diz-nos quanto o planeta vai aquecer. Já o metano diz-nos a rapidez como esse aquecimento vai decorrer”, explicou Manfredi Caltagirone, director interino do novo Observatório Internacional das Emissões de Metano (IMEO).

A meta estabelecida no Cop26 poderá limitar o aumento das temperaturas em 0,2 graus Celsius até 2050 e evitaria cerca de 200 mil mortes prematuras, centenas de milhares de internações hospitalares de emergência por asma e a perda de 20 milhões de toneladas de colheitas por ano.

“Se as emissões de metano fossem reduzidas, estaríamos a ganhar tempo para descarbonizar as sociedades, o que daria uma margem preciosa para actuar na transformação radical do sistema produtivo”, explicou o especialista, que garantiu que a influência do metano na mudança climática foi “subestimada há muito tempo”. Estima-se que até um quarto do aquecimento global é devido ao impacto do metano na atmosfera, enquanto a concentração desse gás está a aumentar na taxa de crescimento mais rápida da história.

Os principais ‘contribuidores’ para a emissão do gás metano na atmosfera são os combustíveis fósseis, resíduos e agricultura. O IMEO, anunciado durante a Cimeira do G20 em Roma, iniciou os seus trabalho centrando-se nos combustíveis fósseis por é por aí que se consegue uma redição considerada mais fácil e menos dispendiosa.

“O metano tem historicamente recebido menos interesse do que o carbono e por isso tem sido menos estudado. Temos de preencher a lacuna de conhecimento sobre onde, quanto e quando mais emissões estão a ser produzidas”, referiu Caltagirone. Medir as emissões de metano é um desafio pois trata-se de um “gás inodoro, sem cor e que não se veria a sair de um cano. Tem de se ir procurar”, explicou.

“Graças à liderança da União Europeia e dos Estados Unidos, que lançaram a iniciativa em setembro, cem países aderiram em apenas dois meses. É fantástico, mas é apenas um compromisso: temos de começar a implementá-lo para que países e empresas podem mitigar as emissões com credibilidade”, referiu. “A acção não iliba as empresas de petróleo e de gás de também começarem a trabalhar na descarbonização e na modificação dos seu modelo de negócio. Este é apenas o começo do desafio do metano, não o fim”, concluiu Caltagirone.



Idanha-a-Nova em projeto de combate a espécies invasoras


O Município de Idanha-a-Nova revelou no início desta semana que aderiu “a um projecto inédito de prevenção e controlo de espécies exóticas invasoras aquáticas e ripícolas, financiado pelo Ministério do Ambiente, através do Fundo Ambiental”.

O protocolo foi assinado em Lisboa a 29 de outubro, pela vice-presidente Idalina Costa, numa cerimónia presidida por João Pedro Matos Fernandes, Ministro do Ambiente e da Acção Climática. O contrato prevê um valor máximo de financiamento de 84 449,72€, a atribuir pelo Fundo Ambiental, como foi revelado à imprensa.

“O objectivo é desenvolver actividades de prevenção, controlo e contenção ou erradicação de espécies exóticas invasoras aquáticas no concelho de Idanha-a-Nova, especificamente na ribeira da Toulica, que integra a bacia hidrográfica do rio Aravil, afluente do Tejo, onde foi detectada em 2020 uma nova espécie exótica invasora para a região, a Ludwigia peploides, na albufeira da Barragem da Toulica, em Zebreira”, esclarece o município.

Na cerimónia que teve lugar na capital, o ministro do Ambiente afirmou que “estão em causa mais de duas dezenas de projectos, quase todos de promoção municipal” e considerou que “os autarcas foram parceiros inexcedíveis para a concretização destes trabalhos em que serão cruzadas diferentes técnicas”.

O combate a espécies exóticas invasoras aquáticas e ripícolas vai avançar, assim, em diversos municípios, com intervenções que totalizam 1,2 milhões de euros. Além de Idanha-a-Nova, os protocolos envolveram os municípios de Amarante, Cantanhede, Oliveira do Hospital, Proença-a-Nova, Santarém e Viana do Castelo, e ainda outras entidades parceiras como comunidades intermunicipais e instituições de ensino superior.

Estão também contemplados os municípios de Arganil, Lousada, Oeiras, Oliveira do Bairro, Vagos, Vila Nova de Poiares e a freguesia do Parque das Nações, em Lisboa.

Foto: CMIN



quarta-feira, 3 de novembro de 2021

Vai nascer um festival de caminhadas pelo TransAlentejo


Segundo o "Público", anuncia-se como o “maior festival de passeios pedestres de Portugal” e a ambição não é de espantar: o TransAlentejo Walking Festival nasce com o principal objectivo de lançar e promover a Rede de Percursos Pedestres TransAlentejo, “o único produto turístico que está presente de forma transversal” em toda a região, atravessando os 47 municípios.

Ora, é todo um Alentejo que se apresenta ao andarilho e, ao longo do mês de Novembro, haverá caminhadas a palmilhar cada zona da região, além de quatro conferências temáticas, momentos de convívio e visitas guiadas a “espaços urbanos e culturais”. São 50 os percursos assinalados no terreno que integram a rede – os guias para cada sub-região estão disponíveis no site – e serão 50 as caminhadas organizadas ao longo dos quatro fins-de-semana de Novembro.

“O Alentejo é um território imenso em área e em diversidade natural e cultural”, relembra a organização na página do evento, sobre uma região que se estende por cerca de um terço do território continental português. “Passear a pé por toda esta região é a melhor forma de descobrir as belezas das paisagens rurais e a história intensa de cidades, vilas e aldeias.”

Cada semana terá uma temática distinta e uma localidade diferente como base, onde se organizam as conferências, apresentações, sessões de convívio e alguns dos passeios guiados.

De 3 a 7 de Novembro, o festival concentra-se em Alpalhão, dedicando-se às “artes e tradições”. Segue depois para Montemor-o-Novo, com “o montado e a literatura” - e, aqui, destaque para o programa cultural de dia 12, com um percurso guiado e comentado pela cidade inspirado na obra de José Saramago, Levantado do Chão.

De 18 a 21 de Novembro, o programa concentra-se na zona de Ferreira do Alentejo, focando-se na “arqueologia e nos cultos religiosos”; e, no último fim-de-semana do mês, termina junto ao Alqueva, junto “da água e do sol”.

Foto: Duarte Drago

terça-feira, 2 de novembro de 2021

Ambiente. O que é verdade hoje pode ser mentira amanhã


O mundo está reunido para discutir as alterações climáticas e parece óbvio que será preciso fazer alguma coisa para diminuir a poluição. Como será possível, já é outra história e muita água correrá por baixo das pontes até que se chegue a um consenso. 

O que parece indiscutível é que não há verdades absolutas, mas hoje quem se atreve a dizê-lo quase é condenado à morte. Passe o exagero, falemos de um caso que acho bastante emblemático do histerismo do ambiente. Há uns 15 anos, a União Europeia determinou o fim do uso de vários utensílios de madeira na restauração, obrigando todos os empresários a substituí-los por materiais de plástico.

Quantas tascas e pequenos restaurantes não se viram à beira da falência devido às exigências cegas impostas pela polícia de costumes, a ASAE? Os responsáveis por essa medida alguma vez foram julgados? Enquanto Portugal adoptou as regras comunitárias de uma forma cega, outros países pura e simplesmente borrifaram-se para tais fundamentalismos.

Os franceses, belgas, espanhóis e alemães, entre outros, mantiveram as suas tradições, mas os portugueses armados com a ASAE foram os melhores alunos – até melhores do que os professores.

Agora, como sabemos, o plástico é o mau da fita e as grandes superfícies terão de se desfazer do que têm em armazém, pois não poderão mais vender material descartável. Penso que este é um bom exemplo de como o fundamentalismo ambiental pode ser bastante perigoso. Mas juntar uma crise provocada pela covid-19 a uma mudança radical de hábitos pode ser ainda mais perigoso do que os gurus imaginam.

Quem anda na rua sabe que os preços estão a disparar, alguns produtos não existem para venda, mas os governantes acham que será possível aumentar o custo de vida das populações sem que exista um aumento dos ordenados. Portugal adora ser o melhor aluno nestas matérias, mas no combate à corrupção ou na melhoria de vida das pessoas já não segue o mesmo exemplo.

E o que valerá o esforço de alguns países se a China, a Índia, a Rússia, dos principais poluidores, assobiarem para o ar? Voltando ao fanatismo, será que aqueles que agora nos querem a todos obrigar a andar de trotinetes, ainda vão defender no futuro a energia nuclear, aquela que é apontada como a menos poluente?

Autor: Vitor Rainho - Artigo original do Ionline

COP16: cimeira termina sem acordo sobre formas de financiamento

A conferência das Nações Unidas sobre biodiversidade (COP16) terminou, este sábado, em Cali, na Colômbia, sem que os países participantes ch...