quarta-feira, 17 de novembro de 2021

Como identificar um falso ambientalista


As alterações climáticas são um problema com características muito específicas. Sendo um problema que potencialmente afetará toda a humanidade, apenas é uma preocupação presente entre a população dos países desenvolvidos e as elites mais ocidentalizadas do resto do Mundo.

Para quatro quintos da população mundial, as preocupações de curto prazo com a vida, ou mesmo a sobrevivência, sobrepõem-se a qualquer preocupação de longo prazo com o planeta. Dificilmente, estas pessoas abdicarão de forma livre e consciente do crescimento em prol do ambiente. Mesmo nos países desenvolvidos, onde a consciencialização ambiental é maior, a disponibilidade para abdicar de qualidade de vida em prol do ambiente é limitada.

Neste cenário, a única forma de conseguir um consenso global para mitigar o problema é criar condições para que o crescimento possa continuar sem que daí resulte uma catástrofe ambiental. Isso só se consegue com mais inovação e tecnologia, cujo desenvolvimento à escala necessária só está ao alcance de economias capitalistas expostas aos incentivos certos. Qualquer alternativa que implique destruir os únicos sistemas económicos capazes de gerar as inovações necessárias não só não resolverá os problemas ambientais como os agravará.

Os falsos ambientalistas são assim fáceis de identificar. São aqueles que propõem objetivos radicais de decrescimento, politicamente impossíveis de atingir sem a imposição de uma ditadura global. Estes são os sinalizadores de virtude inconsequentes que não veem no seu "ambientalismo" uma forma de resolver os problemas ambientais, mas sim uma forma de obter a admiração dos outros, resolvendo os seus próprios problemas eleitorais, românticos ou de autoestima. Mas os piores falsos ambientalistas são aqueles que tentam forçar uma confusão entre ambientalismo, anticapitalismo e "luta de classes". Ao contrário dos primeiros, estes nem sequer se preocupam verdadeiramente com o ambiente: apenas veem no ambientalismo um instrumento para reciclar ideologias que, para além da morte e miséria que causaram, também foram responsáveis por algumas das maiores tragédias ambientais da história.

Carlos Guimarães Pinto é Economista e diretor-executivo do Instituto +Liberdade

Artigo original do Jornal de Notícias




terça-feira, 16 de novembro de 2021

A defesa do Ambiente pertence a todos.


Nos últimos anos, tem sem dúvida existido uma maior tendência para a preocupação ambiental, não que isso signifique uma mudança significativa no impacto da acção humana no ambiente. Acredito que com o actual nível de informação sobre esta matéria, e a propagação da mesma nos meios de comunicação social, fez com que uma grande maioria ( Sem ser esmagadora), começasse a despertar para um assunto tão sensível e por vezes tão polémico.

Se é importante termos um conjunto de políticas ambientais no nosso país? Obviamente que sim, mas sem entrarmos numa visão apocalíptica de um futuro negro. Sem desrespeito para com os ambientalistas mais acérrimos, não acredito que o fundamentalismo leve a algum lado de bom. Em alguns casos, até faz mais mal do que propriamente bem. Como tudo na vida, temos de ter moderação com uma pitada de racionalismo.

Não sou nenhum especialista na matéria, sou um interessado de longa data, e em matéria ambiental posso dizer que há alguns pontos que me desagradam profundamente. O primeiro é a utilização do tema, para fins políticos, nomeadamente no desenhar de políticas de subsidiação para novas tecnologias, algumas delas sem provas reais de eficácia e outras que ainda pairam dentro do campo teórico. Segundo, é a utilização do ambiente na imposição de medidas abruptas, sem ter noção do real impacto nas respectivas comunidades onde estão inseridas. E a terceira, que tem sido recorrente, é a utilização de taxas e impostos ambientais para sufocar os contribuintes, quando muitos deles não possuem uma solução prática para as suas dificuldades no dia-a-dia. Se a nível nacional é o que todos sabem, as respostas europeias não vão ao encontro das expectativas da maioria dos europeus, por isso as congratulações de acordos históricos sobre o ambiente são manifestamente exageradas e inócuas.

Vou passar a casos concretos. Em Sines, na minha terra natal, encerrou-se a Central Termoeléctrica de forma radical, com prazos curtos e sem ter em contra o futuro de todos os trabalhadores e empresas associadas à central. Fez-se em nome do ambiente, mas, entretanto, vamos importando volumes significativos de electricidade de Marrocos, energia proveniente de duas centrais termoeléctricas a carvão. Enquanto a isso, a Polónia teve aprovação para manter as suas centrais a carvão por mais umas dezenas de anos, e a poderosa Alemanha inaugurou este ano uma nova central de carvão. Sem mencionar países como a China ou a Rússia, que recentemente nem estiveram formalmente presentes na COP 26 em Glasgow, e que possuem muitas centrais do género. Com isto não estou a defender o carvão, mas sou contra uma transição forçada, mal planeada e pensada, que irá fazer com que o nosso país enfrente mais dificuldades, devido aos custos e a avaliações de risco potencial sobre a dependência de terceiros, que irá ser cada vez maior. Ao contrário do que nos tentaram vender, o hidrogénio está longe de ser uma solução actual, firme e segura, e a energia solar e éolica, não servem de completo, porque ainda estão longe de servir de fonte principal, sendo que a energia solar, nem consegue ser consensual ao ponto de terem existido várias disputas sobre a colocação de painéis em zonas favoráveis para a agricultura.

Podemos falar de outras matérias, como o exemplo da ferrovia, que sofreu de enormes desinvestimentos ao longo de variados governos, que abandonaram e deixaram degradar, fazendo com que, por um lado, o investimento novo neste segmento de transporte seja astronómico, e por outro lado, a nível económico, o isolamento em relação ao resto da linha europeia, estrangula a circulação tanto de pessoas, como mercadorias e bens. Fora dos grandes centros urbanos, é difícil deixar de utilizar o carro ou começar a utilizar a bicicleta, porque não existe uma rede de transportes públicos ao dispor da maioria da população.

E a utilização da água? Será no encarecer da mesma, na penalização de taxas e taxinhas que resolve a situação, ou será no planeamento que se prepara o futuro? Poupança e utilização racional pode ser uma acção individual, mas no cenário de fundo, deveria ser um imperativo nacional.

Onde fica o ambiente no meio disto tudo? Temos de ter a visão para uma transição compatível com o país que temos e não através de agendas fundamentalistas que não querem deixar ninguém para trás, mas que pode deixar muitos dos que não conseguem superar as suas dificuldades para ir ao encontro de uma visão mais extremista.

Há várias apostas que já deveriam ter sido feitas, para já ter o impacto necessário no momento actual. Uma delas é a Educação Ambiental. Esta componente que já vem sendo uma aposta em várias escolas, já se deveria ter iniciado há várias décadas para aumentar a consciência ambiental de cada um.

A aposta numa expansão do desenvolvimento de novas tecnologias em prol do ambiente ( E em Portugal, já existem empresas e start-ups do género), é um caminho para fomentar meios para iniciarmos a melhoria desta área. Um bom exemplo fora de Portugal é o projecto “The Ocean Cleanup” do jovem holandês Boyan Slat, que já começou a segunda fase e já anda não só a limpar o oceano de detritos e plásticos, bem como nos rios mais problemáticos do mundo. Podiam existir mais máquinas de reciclagem de garrafas de plástico, como existem nas unidades do grupo Sonae, novas construções habitacionais que utilizassem materiais reciclados da respectiva indústria, voltar à utilização do vidro, de preferencia reutilizado ao invés do plástico. Mas mesmo no plástico, já começam a existir opções biodegradaveis. São exemplos práticos, mas que poderiam crescer mais do que crescem. Porque os benefícios para o ambiente, também podem ser benefícios positivos paras as economias mais frágeis.

Mas os comportamentos e as mudanças de mentalidade, também deveriam ter um papel fundamental na mudança tão necessária deste paradigma. Pequenas coisas, como efectuar a reciclagem, o já mencionado racionamento positivo da água e da energia, e a redução do consumismo, nomeadamente na constante troca de equipamento electrónicos, que como sabemos, após o seu final de vida, deixam resíduos pesados.

Se dependermos da vontade ou recomendações dos governos, e não tomarmos iniciativa por nós, não haverá esta revolução pacífica e necessária para a melhoria ambiental. Temos de tomar mesmo essa iniciativa pelas nossas mãos.

A nível governamental a aposta tem de ser não na penalização fiscal dos seus cidadãos, ou nas medidas ineficazes e vazias de objectivo, e muitas de mera propaganda política, mas sim em medidas que tenham uma dinâmica positiva. E a Europa, esse belo conceito de união, nem sempre visível, e sempre problemática na relação com os seus vários membros, deveria dar um real exemplo de acção directa e firme, ao invés da inacção e falta de criatividade.





 

sexta-feira, 12 de novembro de 2021

Lixo por livros: Bibliotecária indonésia cria programa ambiental e de literacia.


Uma bibliotecária na ilha de Java, na Indonésia, teve uma ideia e juntou o útil ao agradável, que não só ajuda o meio ambiente, como incute entre os mais novos hábitos de leitura. Como? Sempre que eles recolhem lixo, ela empresta-lhes livros.

Todos os dias, durante a semana, Raden Roro Hendarti vai no seu triciclo, com a bagageira cheia de livros, para entregar às crianças na vila de Muntang, em troca de copos de plástico, sacos ou outro tipo de lixo. 

O seu objectivo é promover junto dos mais pequenos a paixão pela leitura, ao mesmo tempo que os alerta para a crise climática. Assim que Raden Roro Hendarti aparece, as crianças, muitas acompanhadas pelas mães, aproximam-se da “livraria do lixo” e gritam pelos livros. 

Todos levam consigo sacos de plástico repletos de resíduos, de forma que a caixa da motorizada de Raden rapidamente se enche de descartáveis e se esvazia de livros. Para a bibliotecária é uma grande satisfação saber que, graças a esta ideia, os miúdos vão passar menos tempo a jogar online. 

“Temos de construir uma cultura de literacia desde tenra idade se quisermos mitigar os perigos que o mundo online tem”, diz Raden. “E devíamos ter mais cuidado com aquilo que desperdiçamos de forma a combater as alterações climáticas e salvar o planeta de toda produção de lixo”, acrescenta. 

A cada semana, a mulher consegue recolher até 100 quilos de resíduos, que depois são divididos e reciclados devidamente por ela e pelos seus colegas, vendendo ainda aquilo que se consegue aproveitar. Por outro lado, tem um stock de 6000 livros para emprestar e já pensa em levar o seu triciclo a outros bairros. 

Kevin Alamsyah, 11 anos, é um dos leitores que apanha lixo na sua vila. “Se houver demasiado lixo, o nosso ambiente torna-se sujo e isso não é saudável. É por essa razão que também ajudo na recolha para conseguir receber um livro”, conta. 

Jiah Palupi, responsável pela principal biblioteca pública da área, refere que o trabalho de Raden tem contribuído para o aumento dos hábitos de leitura e reduzir o tempo passado em videojogos, que é sobretudo predominante entre as camadas mais novas. 

Apesar de, na Indonésia, a taxa de literacia acima dos 15 anos rondar os 95%, um estudo do Banco Mundial, de Setembro, alertou que a pandemia contribuirá para que mais de 80% dos jovens da mesma idade fiquem abaixo do nível mínimo de proficiência em leitura, tal como é identificada pela OCDE. 



Novos “hotéis para insectos” ajudam à conservação da biodiversidade em Lisboa


Os três abrigos instalados na freguesia do Areeiro são os novos habitats de abelhas, besouros, joaninhas e borboletas – polinizar é a palavra de ordem.

Sem check-in especial para abelhas ou acolhimento VIP para besouros, desengane-se quem acha que os abrigos para insectos têm um “tratador” de polinizadores. O projecto-piloto da Junta de Freguesia do Areeiro, em Lisboa, através do seu pelouro do Ambiente e Bem-Estar Animal, iniciado em setembro, é simples e sem mordomias. Três ninhos para insectos foram instalados em três praças da freguesia com o objectivo de aumentar a diversidade destes seres vivos essenciais na conservação da biodiversidade.

Em Portugal existem mais de mil espécies de insectos polinizadores, entre abelhas solitárias, abelhões, vespas, besouros, moscas, borboletas, escaravelhos, formigas ou joaninhas e, cada vez mais, a urbanização das cidades, a poluição, a utilização de pesticidas e as alterações climáticas (com as subidas de temperatura e desestabilização das épocas de floração) estão a exterminar os insectos polinizadores das cidades.

“A cidade é ingrata para estes animais que por aqui pouco circulam”, diz Emanuel Aveiro, zelador dos abrigos. Habitualmente, os seus refúgios são fora das urbes, nas cascas das árvores, nas pedras, em troncos ou em palhas, por exemplo, abrigando-se de inimigos naturais e das condições climatéricas. O que estes “hotéis” fazem é recriar esses lugares.

Na zona do Areeiro escolheram-se lugares protegidos, recatados, ricos em vegetação, mas sem muitas pessoas a passar, até para os insectos circularem sem incomodarem os humanos. As caixas de madeira, instaladas nos topos das árvores (para evitar serem vandalizadas), são frágeis, feitas de uma madeira leve, tratada e pintada com produto impermeabilizante, para também não serem uma tentação para o bicho da madeira.

As caixas maiores, como nas traseiras da Igreja de S. João de Deus, serve melhor borboletas e besouros, enquanto as caixas mais pequenas, nas praças Afrânio Peixoto e João do Rio, são naturalmente escolhidas pelas abelhas. “É uma forma de combater pragas como o pulgão ou piolhos-das-plantas que se alimentam da seiva de plantas”, explica o vigilante.

Tal como acontece com as aves migratórias, que fazem as suas próprias rotas e retornam aos seus lugares, Emanuel Aveiro também espera que os insectos polinizadores regressem à cidade. Só com o fluxo regular, o zelador vai perceber se é preciso aumentar o tamanho da caixa e a quantidade. “Os animais precisam descobri-los”.

Por isso, da próxima vez que vir um besouro, não o ignore e muito menos o pise. Deixe-o ir à descoberta do novo abrigo. A sua reprodução e hibernação são fundamentais para evitar pragas e restabelecer o equilíbrio da cadeia alimentar.

Crédito da Foto: Luís Barra






quarta-feira, 10 de novembro de 2021

Deserto transforma-se em depósito de toneladas de roupas... nunca usadas


deserto do Atacama, no Chile, tornou-se no abrigo de milhares de peças de roupa que são descartadas pelos EUA, Europa e Ásia.

Numa altura em que muito se fala sobre reciclar,  as imagens que nos chegam do local são a prova do impacto que o consumo excessivo e fugaz de roupas pode ter.

Segundo explica a AFP, as peças de roupa são feitas na China e no sudeste asiático, e mais tarde compradas pelo porto de Iquique, nesta região do Chile.

O objetivo é vendê-las, mas nem sempre há compradores para escoar a totalidade dos produtos. Em consequência, estes são depositadas no deserto, onde atualmente se encontram cerca de 39 mil toneladas de peças abandonadas.

A imagem que se vê devem servir de alerta para a necessidade de uma economia circular, em que a venda de produtos que já não se utilizam - como a roupa - são uma boa forma de promover a sustentabilidade do planeta.



segunda-feira, 8 de novembro de 2021

Redes Cidades Circulares encontram-se pela 1ª vez em Conferência.


A 1.ª Conferência Nacional Redes Cidades Circulares vai realizar-se em Vila Nova de Gaia, no Auditório Manuel Menezes de Figueiredo, no próximo dia 15 de Novembro. Na edição de estreia, haverá lugar a um debate sobre o papel dos municípios na transição para a economia circular.

O encontro a nível nacional é organizado no âmbito da iniciativa Redes Cidades Circulares (InC2), que é promovida pela Direcção-Geral do Território e conta com um pacote financeiro plurianual para três anos de 1,5 milhões de euros, suportado pelo Fundo Ambiental. Numa actuação que visa o desenvolvimento urbano sustentável e a implementação da economia circular em Portugal, a InC2 abrange a Rede para a Construção Circular e Sustentável  (R2CS), a CircularNet – Plataforma para a circularidade: Comunidade, Empresas e Ambiente Natural (CircularNet),  a Rede Ligações Circulares entre Áreas Urbanas e Rurais  (RURBAN Link) e a Circularidade da Água – por todos e para todos (CApt2).

A conferência irá dispor de uma sessão da apresentação da InC2, de sessões relacionadas com as Redes Cidades Circulares (RC2), nas quais serão apresentadas as RC2, o processo de constituição, o método e as ferramentas, bem como as perspectivas e expectativas. O programa inclui ainda um debate sobre o papel dos municípios na transição para a economia circular, moderado pela jornalista Sónia Santos, da TSF.

A conferência irá contar com a presença dos líderes destas quatro RC2, de representantes de vários municípios parceiros, de peritos da InC2, do ministro da pasta do Ambiente e da Transição Energética, João Pedro Matos Fernandes, da directora-geral do Território, Fernanda do Carmo, da secretária de Estado do Ambiente, Inês dos Santos Costa, e do secretário de Estado da Mobilidade, Eduardo Pinheiro.

Recorde-se que as quatro RC2 que integram a InC2 foram seleccionadas e constituídas no Verão de 2021, após um concurso publicado em Diário da República n.º 25/2021, Série II. Cada uma consiste em parcerias entre municípios e instituições cuja orientação é planear localmente a transição de uma economia linear para uma economia circular, tendo por base um dos quatro temas-chave – urbanismo e construção, economia urbana para a circularidade, relações urbano-rurais e ciclo urbano da água – e quatro eixos transversais – transição digital, adaptação climática, contratação pública, inclusão e coesão social.



sábado, 6 de novembro de 2021

Cidadãos dispostos a proteger ambiente, governos não, dizem ambientalistas


Os cidadãos estão dispostos a alterar comportamentos para proteger o planeta, consideram algumas das principais organizações portuguesas ligadas ao ambiente, que lamentam não ver a mesma tendência nos governos.

A propósito da cimeira das Nações Unidas sobre o clima, que decorre em Glasgow, na Escócia, entre 31 de outubro e 12 de novembro, a Lusa questionou organizações ambientalistas sobre o papel dos cidadãos na luta e adaptação às alterações climáticas. A cimeira, a COP26 (Conferência das Partes, da Convenção Quadro das Nações Unidas para as Alterações Climáticas), junta mais de uma centena de chefes de Estado e de governo e dela devem sair decisões sobre medidas de redução de emissões de gases com efeito de estufa e de mitigação dos impactos das alterações climáticas.

Catarina Grilo, directora de conservação e políticas da Associação Natureza Portugal (ANP/WWF), que trabalha em associação com a internacional "World Wide Fund for Nature" (WWF), afirma que "principalmente as gerações mais jovens estão dispostas a agir agora e estão desgastadas com promessas dos governos".

A responsável da ANP/WWF fala do surgimento de movimentos climáticos juvenis, fala de inquéritos que revelam esse empenho das populações e diz que o tempo de agir é hoje, "sem mais desculpas".

"Se os principais actores não compreenderem estes sinais e não forem ao encontro do que os cidadãos pretendem, poderemos assistir a curto prazo a alterações profundas nos nossos sistemas sociais", porque os jovens estão cada vez mais empenhados, mas são também cada vez mais os "sinais de desilusão" com os políticos, diz Catarina Grilo, acrescentando que "é urgente que os políticos recuperem a confiança da sociedade como um todo e tomem decisões com base na natureza".

Apontando também o dedo aos governos, o movimento ambientalista Climáximo lembra que são presas pessoas que se envolvem nas lutas pelo clima. Como aconteceu em maio, quando 26 jovens do movimento foram detidos num protesto contra a construção de um novo aeroporto na região de Lisboa.

"Como as lutas nas linhas de frente, as lutas contra privatizações nos sectores-chave e as mobilizações climáticas mostram, os cidadãos comuns estão muito mais dispostos a alterar o quotidiano do que os governos e as empresas", assegura o movimento à Lusa, pela voz de Inês Teles, que lembra as centenas de pessoas que se juntaram recentemente em Lisboa para defender uma ciclovia e também uma quinzena de protesto com 500 detenções, nos Estados Unidos, contra novos projectos de gás natural e petróleo. Todos "cidadãos comuns", que correm riscos.

Ana Marta Paz, dirigente da Liga para a Protecção da Natureza (LPN), cita a jovem activista sueca Greta Thunberg para dizer que o papel dos cidadãos é fundamental para exigir mudanças aos governos, para que haja uma acção real de combate às alterações climáticas.

"Não podemos perpetuar todo um sistema que promove padrões insustentáveis de produção e onde os cidadãos acabam por ter a sua capacidade de escolha muito limitada", diz Ana Marta Paz à Lusa.

E da Zero, outra das organizações ambientalistas ouvida pela Lusa, vem uma resposta idêntica, de que os cidadãos, em particular os jovens, estão dispostos a alterar comportamentos, mas também a ideia de que essa alteração de comportamentos "não tem necessariamente de representar um sacrifício".

"A chave está, pelo contrário, em tornar num ganho a mudança de hábito. Por exemplo, se os transportes públicos forem frequentes, cómodos e baratos, as pessoas só ganham se passarem a deixar o carro em casa, e aí a mudança acontecerá naturalmente", diz Francisco Ferreira, presidente da Zero.

Essa mudança pode acontecer naturalmente naquilo que se come ou no uso de embalagens reutilizáveis, exemplifica ainda o responsável, acrescentando que "são precisas políticas públicas adequadas e criativas para transformar a transição energética num conjunto de vantagens para o cidadão".

Francisco Ferreira diz que há ainda um "grande caminho a percorrer", mas acredita que essa transição se pode fazer de "forma natural".





COP16: cimeira termina sem acordo sobre formas de financiamento

A conferência das Nações Unidas sobre biodiversidade (COP16) terminou, este sábado, em Cali, na Colômbia, sem que os países participantes ch...