domingo, 22 de maio de 2022

Uma em cada seis mortes no mundo é causada pela poluição




As mortes causadas pela poluição atmosférica e pela poluição química tóxica aumentaram 66% nas últimas duas décadas.

Um novo estudo revelou que a poluição causou uma em cada seis mortes a nível mundial em 2019 - mais do que os números anuais globais de guerra, malária, HIV, tuberculose, drogas ou álcool.

Esta investigação, publicada na passada terça-feira pela Lancet Committee sobre poluição e saúde, revelou que a poluição mata 9 milhões de pessoas todos os anos - quase três quartos das mesmas devido à qualidade nociva do ar.

Segundo o estudo, as mortes causadas pela poluição atmosférica e pela poluição química tóxica aumentaram 66% nas últimas duas décadas, impulsionadas por uma urbanização descontrolada, crescimento populacional e dependência de combustíveis fósseis.

"Os impactos da poluição na saúde continuam a ser elevados, e os países de baixos e médios rendimentos são os que suportam este peso", afirmou Richard Fuller, o principal autor do estudo. "Apesar dos seus elevados impactos sociais, económicos e na saúde, a prevenção da poluição é muito negligenciada na agenda internacional de desenvolvimento."

Depois da poluição atmosférica, a poluição da água foi considerada a segundo ameaça mais fatal, causando 1,36 milhões de mortes precoces em 2019. A seguir, a poluição por chumbo, seguida de "riscos profissionais tóxicos."

A investigação tem como ponto de partida um relatório de 2015 desta mesma comissão, baseado em dados do Global Burden of Disease Study, um esforço de colaboração internacional com base no Institute for Health Metrics and Evaluation.

Nos quatro anos que se seguiram, o impacto mortal da poluição no mundo não melhorou - tornando-a o maior fator de risco ambiental para doenças e mortes precoces, revelou o estudo. Acrescentou ainda que a "ausência de uma política química nacional ou internacional adequada" exacerbou estas mortes.

Natureza ganha destaque na promoção da saúde mental de trabalhadores


A Salvador Caetano promoveu um workshop de Forest Therapy para os seus funcionários

A pensar no bem-estar e na saúde mental dos seus funcionários, a Salvador Caetano, empresa portuguesa que opera a nível internacional em 3 continentes, com mais de 70 anos dedicados à indústria e sector automóvel, promoveu o primeiro workshop de Forest Therapy no seu Bosque Ser Caetano, um espaço verde com seis hectares.

O workshop, que foi realizado em parceria com a Renature e faz parte do programa Ser Sustentável, teve como objectivo levar os colaboradores para a natureza, fazendo-os conectar com o ambiente à sua volta e desconectar do ambiente laboral.

No final da sessão, os participantes foram convidados a utilizarem a natureza como uma aliada diário para desacelerarem e se desligarem do stress.

Este tipo de iniciativas pretende levar as pessoas a voltarem a conectar-se com o meio ambiente, uma conexão que se tem vindo a perder num mundo cada vez mais digital e tecnológico, explica a marca em comunicado.

Em ambiente laboral, a Salvador Caetano salienta que a Forest Therapy incentiva à interação presencial entre colegas, promovendo maior proximidade entre as equipas.

Bosque Ser Caetano combate stress laboral

Tendo por base o conceito “Shinrin-Yoku”, com origem no Japão, nos anos 1980, que significa “receber o ambiente da floresta através dos sentidos – tacto, visão, audição, olfato e paladar” para promover o bem-estar, o Bosque Ser Caetano nasce para garantir a saúde psicológica dos funcionários do grupo.

Portugal é um dos países da Europa que "mais sente e vai sentir" efeitos do ambiente


Segundo o ministro do Ambiente e da Acção Climática, todo o litoral do país "vai obrigar a uma actuação permanente e vigilante". 

Portugal é um dos países da Europa que “mais sente e vai sentir” os efeitos das alterações climáticas, sobretudo com a subida do nível das águas, alertou o ministro do Ambiente e da Ação Climática, na passada sexta-feira.

“Portugal é em toda a Europa um dos países que mais sente, e mais vai sentir, os efeitos das alterações climáticas e dos fenómenos extremos e subida do nível de águas”, apontou Duarte Cordeiro no discurso na cerimónia de assinatura de um protocolo de intervenção para proteger o sistema dunar Mindelo e a Ribeira de Silvares, em Vila do Conde.

Segundo salientou o governante, “todo o litoral vai obrigar a uma actuação permanente, vigilante e persistente de recarga de praias, reposição do sistema dunar, manutenção de estruturas de defesa costeira, de desassoreamento dos sistemas dunar e das barras”.

quinta-feira, 17 de março de 2022

Seis organizações ambientalistas consideram “escandaloso” o orçamento do Fundo Ambiental


 

Organizações ambientalistas consideraram o orçamento do Fundo Ambiental para 2022 o “mais escandaloso de sempre”, já que apoia todos os sectores “menos a natureza”.

A crítica é feita num comunicado assinado por seis organizações ambientalistas e surge em resposta ao anúncio do Ministério do Ambiente e da Ação Climática de que o Fundo Ambiental tem para este ano um orçamento de 1.125 milhões de euros, “o maior de sempre”.

As seis organizações dizem que no orçamento falta investimento no restauro ecológico e em projectos com qualidade de conservação da natureza e da biodiversidade.

E acrescentam que tem apoios directos, sem concurso, de milhões para institutos públicos, universidades e empresas públicas, mas nada para o restauro da natureza, na década do Restauro da Natureza da ONU e no mês em que a Comissão Europeia publicará a Lei de Restauro da Natureza.

As organizações não governamentais lamentam e consideram imoral que o investimento para remover espécies invasoras e apoio a algumas acções do Instituto da Conservação da Natureza e das Florestas (ICNF) sejam os únicos valores atribuídos para conservação de espécies e habitats.

“Discutíveis são também os financiamentos para municípios, como por exemplo um milhão de euros atribuídos para limpeza de praias e classificados como mitigação de alterações climáticas, ou os quatro milhões para visitação de Áreas Protegidas classificados como protecção e conservação da natureza e biodiversidade”, dizem as organizações na apreciação do orçamento.

Na Europa, acrescentam, 63% das espécies e 81 % dos habitats protegidos estão em mau estado de conservação e Portugal “infelizmente, não investe o suficiente para reverter esta realidade”.

As organizações pedem que o Governo invista na conservação, que apresente metas sérias e ambiciosas de restauro dos ecossistemas marinhos, terrestre e de água doce, e que olhe para o restauro da natureza como uma forma importante de atingir as metas climáticas.

Assinam o documento a Associação Natureza Portugal, em associação com a WWF (ANP/WWF), Associação Portuguesa para a Conservação da Biodiversidade (FAPAS), Grupo de Estudos de Ordenamento do Território e Ambiente (GEOTA), Liga para a Proteção da Natureza (LPN), QUERCUS – Associação Nacional de Conservação da Natureza, e Sociedade Portuguesa para o Estudo das Aves (SPEA).

sexta-feira, 21 de janeiro de 2022

Poluição química na Terra passa limite de segurança para a humanidade


A poluição química gerada pela actividade humana ultrapassou a “fronteira planetária”. Segundo o novo estudo liderado pela Stockholm Environment Institute, isso significa que a massa destes poluentes é a superior à capacidade da Terra em contê-los, ameaçando ainda mais os ecossistemas globais.

O plástico é o produto que mais se destaca nessa conta, que também soma outros 350 mil produtos químicos sintetizados, como pesticidas e antibióticos. A nova pesquisa destacou que a poluição plástica, por exemplo, pode ser encontrada desde topo do Monte Everest ao mais profundo oceano.

Essa “fronteira planetária” refere-se aos limites ambientais que permitem aos humanos viverem em segurança. Por outras palavras, a humanidade já produziu tanta poluição química que o meio ambiente torna-se instável para a sua sobrevivência — algo inédito nos últimos 10 mil anos.

A poluição química ameaça os processos físicos e biológicos para o funcionamento da vida, o que inclui pesticidas que matam insectos, peças fundamentais de diversos ecossistemas, além dos clorofluorcarbonetos (CFCs), responsáveis por destruir a camada de ozono.

Poluição nanoplástica encontrada pela primeira vez em ambos os pólos da Terra


A poluição nanoplástica foi detectada pela primeira vez em ambos os pólos do planeta, indicando que estas minúsculas partículas estão agora disseminadas por todo o mundo, alerta um estudo realizado pela Universidade de Utrecht, na Holanda.

As nanopartículas são menores e mais tóxicas do que os microplásticos, que já foram encontrados em todo o mundo, mas o impacto de ambos na saúde das pessoas ainda é desconhecido.

"Detectámos nanoplásticos nos cantos mais longínquos da Terra, tanto nas regiões polares do sul como do norte. Os nanoplásticos são muito toxicologicamente activos em comparação, por exemplo, com os microplásticos, e é por isso que isto é muito importante", disse Dušan Materić, que liderou a investigação.

A análise de um núcleo de gelo da Gronelândia mostrou que a contaminação nanoplástica tem vindo a poluir a região há pelo menos 50 anos. Os investigadores também ficaram surpreendidos ao descobrir que um quarto das partículas era proveniente de pneus de veículos.



Ambiente. O que defendem os partidos para o sector? E o que os distingue?


 

Conheça as principais propostas dos partidos com assento parlamentar para o ambiente:

PS 

O Partido Socialista assume o ambiente como uma das suas principais bandeiras e “compromete-se a enfrentar as alterações climáticas e a garantir uma transição justa”. Entre as propostas apresentadas destaca-se a transição energética, com a aceleração da “concretização do Plano Nacional Energia e Clima 2030 e o Roteiro para a Neutralidade Carbónica 2050”, com a implementação dos investimentos de 610 milhões de euros que estão previstos no Plano de Recuperação e Resiliência (PRR). Outra aposta do PSé a mobilidade Sustentável, promovida pela expansão das redes e serviços de transporte e mais investimento nas empresas públicas do setor, não esquecendo a “transição para a mobilidade elétrica” – o programa socialista prevê ainda dar “continuidade à estratégia Nacional para a Mobilidade Ativa Ciclável”.

PSD

O maior partido da oposição defende um processo de revisão constitucional que se foque nas “dimensões de ambiente e de sustentabilidade”. Os sociais-democratas consideram “fundamental atualizar os instrumentos de planeamento estratégico em linha com o reconhecimento do estado de emergência climática”. Assim, querem “desenvolver e implementar um sistema de Contas Nacionais Verdes e PIB Ambiental” e uma “fiscalidade verde”. Olhar para as novas tecnologias também é uma prioridade, com a criação de um instrumento de apoio aos procedimentos de Avaliação de Impacte Ambiental – que os sociais-democratas designam por “programa AIA 2.0” – que utiliza a tecnologia de Inteligência Artificial.

CDS

Os democratas-cristãos olham para a cultura, para a memória e para as tradições. Pretendem “defender o Mundo Rural”. E em ordem para proteger o ambiente, nada melhor do que proteger os agricultores – “os melhores ambientalistas”. O CDS defende no seu programa um IVA de 6% para a tauromaquia – um “espetáculo cultural” – e “reverter” o limite da idade de entrada. Querem também “resolver de vez o problema da abordagem permanente e articulada das políticas do Mar” – com uma Comissão Parlamentar para as políticas do setor. Criar apoios ao setor do leite e outros setores produtivos é outra das medidas apresentadas, assim como devolver ao ministério da Agricultura a “gestão da floresta, pescas e recursos hídricos”.

 BE

Os bloquistas – além da conhecida medida de “transportes públicos para toda a gente”, fundamentada com a “redução de emissões de CO2 e poluentes” e ainda “do consumo de combustíveis” e de uma “maior integração funcional entre os centros e periferias das áreas metropolitas” – consideram “urgente” redirecionar o modelo energético nacional para atingir a neutralidade carbónica. Mas há mais: o partido pretende “eliminar rendas excessivas e erradicar a pobreza energética” e cortar os “lucros caídos do céu” – olhando para a legislação espanhola. Outra medida que se destaca no programa bloquista é a criação do “Ministério da Ação Climática”.

IL

Os liberais defendem uma “forte liberalização” no que diz respeito à agricultura e florestas. Também consideram importante “proteger o meio ambiente” e para isso querem “a retirada de produtos fitofarmacêuticos obsoletos do mercado”. E no que toca aos produtos que são retirados do mercado por questões ambientais, defendem “colmatar a falta de alternativas”. Já no que toca ao Código Florestal, o partido defende “simplificar a regulamentação associada ao sector florestal” e “aumentar da resiliência do território face às alterações climáticas”. Os liberais também acham importante “inverter a tendência de desertificação e despovoamento do território.

 CDU

Os comunistas consideram que a situação ambiental atual é um resultado da “privatização de sectores fundamentais” – dando como exemplo a água, a energia ou os resíduos. Para uma melhor “mitigação” e “adaptação” às alterações climáticas, a CDU quer criar um Plano Energético Nacional que tenha como alguns dos objetivos “a utilização racional da energia” e o “maior aproveitamento de recursos endógenos, particularmente das renováveis”. O partido defende o “controlo público” da EDP, REN e GALP e também a “conservação e melhoria da fertilidade do solo”, não esquecendo “o restauro e conservação de ecossistemas” ou lutar, por exemplo, para “a prevenção dos efeitos das ondas de calor”.

PAN

“É prioritário travar o aquecimento global e impedir um cenário com consequências desastrosas para a vida no Planeta”. As medidas que mais se destacam são a “inclusão” no ministério da Economia das competências relativas às alterações Climáticas, assim como “instituir o Ministério do Ambiente, Biodiversidade e Proteção Animal. O PAN quer também criar o crime de “Ecocídio no código Penal”. No que toca à alimentação, quer “promover uma política pública de redução do consumo de produtos de origem animal e o fomento de uma alimentação sustentável de origem vegetal”.

 Chega

Nada de alterações climáticas ou ambiente. Em vez disso, o Chega fala em “mundo rural”. O partido de André Ventura considera que a caça e a tauromaquia são “atividades tradicionais relevantes”, pelo que a sua regulamentação deve incentivar uma gestão sustentável e não “imposições meramente proibicionistas”. O partido quer também reforçar “medidas de apoio à agricultura familiar” – algo “fundamental” para “a reocupação do território e preservação de identidades e tradições do mundo rural”.

Livre

O Livre também considera “fundamental” combater as alterações climáticas. E, para isso, o partido quer “declarar a emergência climática nacional” criando uma Task-Force que “acompanhe a evolução das emissões de Gases com Efeito de Estufa (GEE). Entre as propostas destaca-se ainda a “redução de 65% das emissões nacionais GEE até 2030” e “rejeitar o Tratado da Carta da Energia” – que o partido considera “o maior obstáculo à luta contra as alterações climáticas na Europa e uma perigosa ameaça para as finanças públicas”. Além da task-force, o partido de Rui Tavares quer criar “uma empresa pública vocacionada para a promoção das energias renováveis e da gestão de uma rede nacional de transportes públicos sustentável” e uma “taxa universal sobre o carbono”. O Livre quer também mexer no escalão do IVA “de 23% para 6% em todos serviços essenciais de fornecimento de energia”.

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